segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Oralismo
A questão da política oralista versus bilingüismo para os surdos brasileiros
tem sido uma questão não bem resolvida. A idéia de que o português instrumental
deve ser a segunda língua dos surdos brasileiros esbarra no fato de que muitos
desses indivíduos não aprenderam a LIBRAS como sua língua materna, carecendo,
portanto, de uma primeira língua. Dentro deste quadro, a inclusão de pessoas
surdas em escolas regulares tem sido uma das maiores discussões da área da
educação e da lingüística. É sabido que a escola sempre se preocupou
primordialmente com o ensino da escrita, deixando em segundo plano a língua
falada, o que parece bastante contraditório visto que a fala é uma atividade
muito mais presente no dia-a-dia das pessoas. [...] as crianças surdas
geralmente não têm acesso a uma educação especializada e é comum encontrarmos
em escolas públicas e até particulares, crianças surdas que estão há anos
freqüentando estas escolas e não conseguem adquirir nem a modalidade oral nem a
modalidade escrita da língua portuguesa, pois o atendimento ainda é muito
precário. (GOLDFELD , 2001, p 34) O trabalho com a oralidade na escola não deve
se limitar ao estudo da fala padrão calcada na escrita, deve sim enfatizar as
grandes variedades e contribuições dos diversos usos da língua para a construção
de uma identidade cultural. Um dos grandes problemas no tratamento da oralidade
consiste na confusão teórico-metodológica entre os termos oralidade e
oralização. Formar um cidadão é também prepará-lo para falar em situações
sociais variadas com desenvoltura e competência. Atrelado à performance oral,
está a capacidade argumentativa que também deve ser tema de reflexão em sala de
aula, uma vez que é preciso não apenas dizer, mas saber como dizer o que se tem
a dizer, como já salientou Geraldi (1998) e Ramos (1997).
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